[Paulicéia 018] A maior de SP: Biblioteca Mário de Andrade

E umas dicas de coisas para você fazer em casa mesmo (a pandemia não acabou)

Uma coisa que eu não comentei no boletim de segunda foi que frequentei muito a Mário de Andrade. Era onde eu fazia pesquisa em tempos de escola (não existia internet, sou Geração X, etc). Mas não era uma coisa "ah, que bom, vim estudar". Como quase todo mundo em todos os tempos, eu odiava estudar. Estar na biblioteca era outra coisa, meio indefinível para minha versão infanto-juvenil. Só fez sentido depois, visitando outras bibliotecas e, principalmente, visitando livrarias mundo afora. A graça desses espaços está em se sentir cercado/a de livros.  Mesmo que você não vá levar pra casa.. Mesmo que você não vá ler. Como se por estar no mesmo ambiente você se sentisse mais… mais o quê? Mais sábia, mais culta, mais experiente. Não sei. Para além do óbvio benefício do silêncio, existe uma tranquilidade sublime dos espaços forrados de livros. que pode ser até um fetiche, fazendo com que o ambiente biblioteca seja imitado em decorações, hotéis ou cafés. A digitalização do acervo que a Josélia menciona é importantíssima, e permitir consultas aos livros da Mário de Andrade a partir de qualquer lugar do mundo é uma façanha digna de celebração. Mas estar entre as salas, mesas e corredores nunca deixará de ser uma experiência e tanto.

Há poucos anos, na gestão Haddad, o então diretor/a da Mário de Andrade , decidiu abrir a biblioteca 24 horas por dia1. Agora pode parecer meio solto, mas a ideia fazia parte de um momento importante de retomada do centro de São Paulo enquanto pólo criativo e foi também uma tentativa de participar da vida noturna da região, para espantar essa ideia de que o centro da cidade morre de noite. A gestão seguinte cancelou o projeto, que não teve tempo de vida útil para "pegar" e o pouco público junto com o alto custo de manter funcionários acabou sendo impeditivo2. Quando conversamos, a Josélia comentou que a Biblioteca vai voltar a ficar aberta nove horas por dia, o que já é um adianto para quem trabalha no centro durante o dia. E também um bom indicativo de vida voltando a acontecer – se a variante delta deixar.


Enquanto isso, em São Paulo:

Acervo digital e gratuito da Biblioteca Mário de Andrade

Como a Josélia Aguiar comentou na entrevista de segunda, a digitalização do arquivo da Mário de Andrade é um processo de anos. Mas a  instituição tem dezenas de ebooks de clássicos da literatura que podem ser baixados gratuitamente e compartilhados de forma legal. Divididos entre infanto juvenil e literatura adulta, estão títulos de Kafka, Orwell, Balzac e Machado de Assis. A interface não é das melhores, mas funciona. Todos estão em PDF.


Debates do ciclo 22+100: novos modernistas

Parte das celebrações do centenário da Semana de 22, o ciclo de encontros que debate o modernismo passa por temas como "qual é a cor do modernismo hoje" e "liberdade e projeto utópico do Brasil". Os encontros que reúnem artistas e comunicadores de diversas áreas estão no Youtube, no Spotify, e no site oficial do centenário.


Feira virtual de livros da Dublinense

A Dublinense, editora de Porto Alegre, está com uma feira online para celebrar os 12 anos da casa. Os descontos vão até 70%, com frete gratuito para compras acima de R$200. Fuçando no catálogo dá pra caçar ótimos achados. "As sete mortes de Evelyn Hardcastle", por exemplo, está R$35, e o livro de crônicas "A volta ao quarto em 180 dias", R$19,90.

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Para matar as saudades da Galeria Metrópole 

Um dos espaços mais bonitos do centro, a Galeria Metrópole ganhou vários pontos bacanas nos últimos anos, como o bar Mandíbula (que fechou durante a pandemia) e a livraria e centro cultural Tapera Taperá, além de "estúdios de artistas, designers, arquitetos e publicitários", como conta esse post do Modernismo do Brasil no Instagam, mostrando a história da Metrópole desde sua inauguração nos anos 1950. Um bom complemento é essa thread do jornalista Renan Guerra no Twitter, que aprofunda a relação da galeria com o público gay do centro.

Crowdfunding Janelas de SP

Um dos meus projetos preferidos no Instagram é o Janelas de São Paulo, da Nara Coló Rosetto, artista paulistana com graduação em arquitetura e urbanismo. Há anos, a Nara identifica e desenha janelas da cidade, escolhendo desde ícones modernistas até museus famosos ou casarões em ruínas. Agora, ela foi contemplada com um mestrado em Intermídia na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, em Portugal, e está fazendo um crowdfunding com suas ilustrações impressas, além de criações em outros suportes, como fotografia. Dá para participar com valores que vão de R$10 (imagem digital) até R$500 (um crochê, parte da série Pequenos Gestos). Eu já garanti meu trio de janelas modernistas <3

Mano a Mano, podcast do Mano Brown no Spotify

Ícone maior do rap paulistano à frente do seminal Racionais MC's, o Mano Brown ven há algum tempo diversificando suas frentes de atuação, como no projeto solo "Boogie Naipe". E agora mostra outra faceta de comunicador em um talk show em formato podcast chamado Mano a Mano, que estreia nesta quinta-feira, dia 16, no Spotify. A primeira temporada terá 16 episódios e entre os convidados estão Karol Conká (na estreia), Drauzio Varella, o pastor Henrique Vieira e o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo, em papos sobre assuntos diversos que irão ao ar semanalmente. Aproveitando: a Folha publicou uma boa resenha do livro sobre o clássico dos Racionais, "Sobrevivendo no Inferno".

Mercearia pode fechar mas talvez não

Ganhou muito destaque na última segunda-feira a notícia do fechamento da Mercearia, tradicional bar da Vila Madalena muito querido pelo meio artístico-literário paulistano. A notícia saiu na Folha de São Paulo, inicialmente dizendo que vários imóveis do quarteirão estavam sendo vendidos para a construção de prédios de alto padrão. Depois da repercussão, a construtora afirmou em nota que não há acordo de compra, e um dos sócios da Mercearia disse que vai abrir outro bar ali perto. Enfim. De qualquer forma, o clima "fim de uma era" está dado, já que entre postagens de despedidas nas redes sociais, quase todo mundo concorda que os tempos áureos do lugar passaram. Até o Nick Cave, que em algum momento dos anos 1990 foi morador do Sumarezinho e frequentador da Mercearia, se manifestou em um bonito texto sobre bares e afeto. Meus dois centavos: às vezes os bons tempos voltam.


Na sexta-feira eu volto com a thread da semana, que é sobre coisas para fazer em casa. E aproveito para pedir desculpas pelo erro na thread da semana passada, que estava bugado — soube pq algumas pessoas reclamaram no Twitter (link). Por conta disso, o assunto (era restaurantes em tempos de variante delta) flopou mesmo. Mas tudo bem, logo mais eu volto nele. Aqui o certo.