[Paulicéia 010] Prato Firmeza: novos guias gastronômicos e um festival online

Projeto sai da bolha paulistana para falar de gastronomia na perspectiva das favelas do Rio.

Antes de começar, quero celebrar com vocês o fato de que chegamos à décima edição! O Paulicéia tem um ano de duração, então ainda tem muita coisa pra acontecer. Mas já aproveita e me conta: quem ou o que você gostaria de ver por aqui?

TL;DR 👉 Prato Firmeza terá edição sobre favelas do Rio de Janeiro em 2021 e sobre a relação campo-cidade em 2022. Primeiro festival Prato Firmeza acontece online em os dias quatro e seis de agosto com discussões sobre ancestralidade e veganismo, entre outros temas. Patrocínio dos guias é captado em leis de incentivo e editais.

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O tema dessa semana é o Prato Firmeza, guia gastronômico das quebradas de São Paulo realizado pela Énois Conteúdo. Na entrevista de segunda-feira a Gabriella Mesquita nos contou como é o trabalho de mapeamento dos guias e qual foi a motivação para criar um guia específico de comida afro-brasileira em São Paulo, o Prato Firmeza Preto. Hoje, ela conta os próximos passos do projeto, com guias já definidos para sair em 2021 e 2022. Quem participa também é a coordenadora de projetos da Énois, Carol Pires, que conta do festival online que começa em agosto.

Gaía - Depois do Prato Firmeza Preto, lançado durante a pandemia, quais são os próximos guias?

Gabriella Mesquita — Nós temos cinco edições de livros: quatro guias gastronômicos e um metodológico para as pessoas utilizarem a metodologia jornalística e de mapeamento em seus próprios projetos.

Em 2021, pela primeira vez, vamos expandir o Prato Firmeza para outro estado, faremos um Prato Firmeza nas favelas de Manguinhos e Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

Esse guia está em elaboração, mas sai esse ano, junto com o Festival Prato Firmeza, e aborda a experiência da gastronomia na favela. Estamos experimentando, entendendo melhor como chegar nesse outro território. A favela do Jacarezinho é um espaço de guerra, isso interferiu em todas as questões. É a primeira vez que a gente sai da bolha paulistana para falar de gastronomia na perspectiva das favelas do Rio. O projeto é feito em parceria com um laboratório de jornalismo e audiovisual da favela do Jacarezinho, chamado Lab Jaca, e um laboratório de dados da Maré chamado Data Labe. Teremos alguns exemplares impressos, mas é principalmente uma experiência digital, um formato que a gente ainda não explorou tanto.

O Festival Prato Firmeza acontece nas redes agora em agosto. O que podem contar sobre ele?

Carol Pires - Acontece entre os dias quatro e seis de agosto. O festival é o encerramento desse pacote que estamos construindo desde o ano passado com o Prato Firmeza Preto, Prato Firmeza Rio e o podcast. É um seminário de três dias trazendo questões que o Prato Firmeza aborda. O primeiro dia será sobre comida, afeto e ancestralidade, com uma entregadora e uma empreendedora que estavam no Prato Firmeza Preto. No segundo, traremos a questão comida e favela, com o pessoal do Rio mostrando como foi o mapeamento e como resistir, porque no meio do caminho houve chacina, várias situações delicadas que deixaram os empreendedores com receio de abrir suas portas. O terceiro dia será sobre veganismo, uma coisa mais ampla, não focada tanto nos empreendedores do Prato Firmeza. A Patty Durães, da Feira Preta, conduz esse bate-papo. Teremos receitas para ensinar a galera a fazer comidas simples e práticas, como uma feijoada vegana. A ideia é trocar e amplificar a voz dessa galera.


De onde vem o patrocínio das ações no Prato Firmeza? 

Carol - A gente vai fazendo um coletivão de financiamento coletivo, de editais e de Rouanet, sabe? Temos algumas frentes. A principal é a Lei Rouanet, são vários patrocinadores via lei de incentivo. Mas também nos inscrevemos em edital.

Terminando esse pacote de Prato Firmeza Preto, Prato Firmeza Rio, o podcast e o festival, nós começaremos o Prato Firmeza Campo e Cidade, captado em edital e também em processo de captação complementar na Rouanet.

Também tem o processo de doação de pessoas físicas, a própria Énois tem uma assinatura recorrente


Então o guia de 2022 é sobre a relação entre campo e cidade?

Carol - Isso. Vamos formar vinte jovens para fazer os mapeamentos. A ideia é começar a selecionar essa galera para fazer essa produção em 2022. Estamos um pouco apertados de tempo, ainda não finalizamos o do Rio por conta de questões que atrasaram nosso cronograma. Achamos importante a galera ter um momento de pausa, de reorganizar, tivemos muito cuidado. Para 2022 temos dois projetos abertos: a sequência do Campo-Cidade e um projeto em captação no PROMAC que é o Prato Firmeza Geek, parceria com a PerifaCon.


O Campo-Cidade deve sair como guia impresso, como as outras edições do Prato Firmeza?

Carol - A proposta é diferente. Vamos fazer podcasts e vídeos, algo como dez ou vinte episódios. Com a captação via Rouanet poderemos fazer o pacote completo, mas inicialmente o que temos de recursos é pra fazer esses conteúdos.



Vocês conseguem ter um acompanhamento do impacto que cada edição do guia tem dentro das comunidades que ele cobre?

Gabrielle - Essa é uma premissa fundamental do terceiro número para cá. O objetivo é mensurar impacto, começar a ter a preocupação de recolher métricas, fazer estratégias de distribuição para que o guia alcance de fato as pessoas que a gente quer que alcance. Isso surgiu depois da experiência na Feira Preta, quando entendemos quem queríamos de fato que olhasse o que estava sendo produzido. Antes, a gente ainda não tinha olhado com tanta profundidade para a distribuição jornalística.

Era um incômodo de alguns alunos que passaram pela Énois: tô fazendo esse trampo, mas esse trampo não tá chegando na minha quebrada, só tá saindo na Folha de São Paulo. O meu cargo tem muito disso, para que a gente esteja perto de pessoas com quem a gente se identifique.

Essa preocupação de estar perto de Alma Preta, do Preto Império e de todos esses coletivos incríveis, é parte disso. A gente quer um impacto que não seja apenas quantitativo, mas qualitativo. Então hoje conseguimos medir e deixar registrado.

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Leia na próxima semana:

Uma conversa com Débora Vianna, Gerente Executiva de Cultura do SESI SP, sobre a vocação cultural da Avenida Paulista.


Veja também

Como baixar os guias Prato Firmeza (Énois)

Websérie 'Comida de Quebrada' apresenta gastronomia da periferia de São Paulo (TV Folha)

Vídeo da Énois mostrando o processo por trás do Prato Firmeza 3 (fevereiro de 2020)

Conheça o Prato Firmeza, guia gastronômico das quebradas (Vice)


Thread da semana

"Thread" é o nome que o Substack dá para a boa e velha troca de mensagem em caixas de comentários (não precisa estar cadastrado para participar). Começamos há pouco, mas a comunidade Paulicéia já dá pitacos:
- Rumo à décima edição: o que virá depois?
- Que lugar de São Paulo você quer visitar quando a pandemia acabar?

Essa semana o tema é comida afro-brasileira. Você já parou para pensar que temos mais de 50% de população negra e parda na cidade mas uma vasta maioria de restaurantes de inspiração européia?

Quais restaurantes afro-brasileiros São Paulo você conhece em São Paulo? E, se não conhece, por quê? 

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